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A Sultana das Sultanas

  • 29 de abr.
  • 3 min de leitura
Ilustração de uma sultana em ambiente oriental luxuoso, com véus vermelhos e vinho, adornos dourados e atmosfera mística, representando poder feminino, sensualidade simbólica e iniciação espiritual.

Dizem que, em um reino distante, onde os dias nasciam dourados e as noites tinham o peso de veludo escuro, vivia um imperador tão antigo quanto as montanhas e tão sábio quanto os rios.


Seu palácio, erguido em mármore branco e sombras azuis, ficava no limite entre o mundo que se vê e o mundo que se pressente.


Foi ali que ela chegou.


Não como súdita, nem como mensageira, mas como quem sempre pertenceu àquele lugar — embora tivesse esquecido disso.


O imperador caminhava ao seu lado com passos lentos, estudando-a como quem reconhece uma verdade antiga.


Quando pararam diante de um pátio onde mosaicos brilhavam como espelhos partidos, ele disse:

— Tens um boi valioso sob teu domínio.


Ela sorriu, não por gentileza, mas por saber mais.

— Não é boi. É touro.


E bastou essa correção — firme, tranquila, incontestável — para que o ar mudasse.

O imperador inclinou a cabeça, como quem finalmente compreende o que sempre teve diante dos olhos.

— Então és mais do que pensei — murmurou. — És mulher de força rara. Mulher que comanda, não que obedece.


Ele a conduziu pelo palácio, mostrando jardins internos, fontes escondidas, tapeçarias que contavam histórias de batalhas vencidas e amores sobrevividos. Ela caminhava sem pressa, na dignidade tranquila de quem já viveu muito e não precisa provar nada.


Era mais velha que as concubinas que dançavam nas varandas.

Mais sábia que as jovens rainhas estrangeiras que o visitavam.

Mais poderosa do que todas juntas.


E, ainda assim, mais bela — mas de uma beleza que não cabia em espelhos.


Em certo momento, o imperador parou, encarando-a com reverência.

— És a Sultana das Sultanas — declarou. — A que não precisa de coroa para ser reconhecida. A que carrega o fogo e a terra no mesmo gesto. A que sabe que o touro é seu, porque soube reconhecer a própria força.


Ela não respondeu.

Não era necessário.

O silêncio entre eles era um território sagrado onde nenhuma mentira podia existir.


O imperador, com a solenidade de quem oferece um segredo antigo, estendeu a mão, não para comandar, mas para cortejar. Havia desejo, sim — mas havia mais do que isso.

Havia respeito.

Havia admiração.

Havia o reconhecimento da mulher completa que ela era: madura, lúcida, indomável, soberana.


Quando ela tocou a mão dele, o palácio inteiro pareceu inclinar-se em saudação.

As colunas brilhavam.

As sombras recuavam.

Até o ar se ajoelhava.


Pois ali, diante do imperador do mundo material, surgia alguém ainda maior:

A mulher que recupera o próprio trono.

A mulher que não é boi que puxa carroça.

A mulher que é touro: pura potência e destino próprio.


E assim, naquele reino entre mundos, foi proclamado:


O império reconhece sua Sultana.

E ela, enfim, reconhece a si mesma.


Angela Ponsi

A Mulher que Sonha


Este conto foi inspirado em um sonho de Angela Ponsi, no qual elementos simbólicos emergem do inconsciente para revelar processos internos profundos.

A ilustração e o texto foram desenvolvidos com o apoio de recursos de inteligência artificial, integrando sensibilidade humana e tecnologia criativa.



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