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O Beijo Entre Mundos

Atualizado: 9 de jun.



Cena romântica em duna sob o céu azul, casal se beijando com intensidade

Na terra onde os véus do sonho se confundem com o real, havia um círculo de jovens mulheres que dançavam sob a luz dourada de um entardecer sem fim. Usavam vestidos que tremulavam ao vento como flores em festa, e riam com a leveza de quem carrega a alma livre.


Dentre elas, havia uma que vestia rosa, um rosa suave e romântico, mas que escondia um segredo: uma renda negra que espreitava sutil por entre a fenda de sua veste — como quem diz: sou ternura, mas também fogo.


Guiadas por uma alegria misteriosa, correram em direção ao mar, atravessando dunas douradas como montanhas de sonho. Seus pés descalços afundavam na areia morna, e os vestidos desenhavam trilhas como pinceladas de seda. Atrás delas, surgiram jovens viajantes — belos, curiosos e encantados. Um deles, de olhos castanhos e gestos gentis, notou a moça de vestido rosa e se aproximou com reverência.


“Permita-me cuidar de algo seu”, disse ele, estendendo a mão para uma calça branca que ela trazia consigo.


Sem saber bem por quê, ela confiou.


Enquanto suas amigas deslizavam pelas dunas em risos e giros, ela subiu até o ponto mais alto, onde pequenas meninas de areia brincavam como fragmentos da infância esquecida. De lá, viu o rapaz dobrando a calça com delicadeza ao lado de seus companheiros, em torno de uma mesa branca que flutuava sobre o nada.


Ele subiu até ela com a calça bem passada nos braços, como um presente precioso.

“Como posso agradecer?”, perguntou, com um brilho nos olhos.

“Com um beijo”, respondeu ele, sorrindo.


Ela beijou sua face com doçura, mas ele apontou os próprios lábios, e o universo inteiro pareceu conter a respiração.


O beijo que se seguiu não era apenas entre bocas. Era entre mundos. Entre a menina e a mulher. Entre o desejo e o cuidado. Entre o riso e a paixão. Os aplausos dos amigos ecoaram como sinos no vento, não em zombaria, mas em celebração.


Ali, sob o céu da praia que não existe em mapa algum, o amor nasceu em forma de dança, gesto e entrega. E a moça de vestido rosa descobriu que era possível ser inteira — leve e profunda, pura e ardente — e ainda assim ser amada, sem precisar esconder.


Angela Ponsi, a Mulher que Sonha


Este conto nasceu de um sonho de encantamento e liberdade. Nele, éramos jovens, alegres, vestidas para celebrar a vida. Havia beleza, leveza e desejo — um flerte com o inesperado, uma dança entre o feminino e o masculino. Escrevi este conto ao acordar, como forma de preservar a lembrança de um instante mágico que revelou, em símbolos, a força da entrega, da alegria e da paixão quando estamos conectadas com nossa essência mais autêntica.

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