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A Boca da Tartaruga

Atualizado: 9 de jun.

Era uma noite silenciosa quando Clarice atravessou um sonho feito de sombras infantis. Andava por um quintal molhado, sob um luar esverdeado, acompanhada por uma menina pequena que ora era sua filha, ora sua sobrinha, ora ela mesma com três anos de idade.

Tartaruga gigante com boca aberta em cenário surreal sendo observada por menina.

A menina sorria com uma crueldade leve e infantil, como são cruéis as crianças que ainda não sabem o peso do medo. Ela dizia: “Olha ali, tia... mamãe... Clarice...” e apontava para o escuro. Do chão surgiam tartarugas enormes, com bocas escancaradas e olhos pretos de vácuo. Suas carapaças pareciam feitas de pedras lunares.


Clarice sentia o medo escorrer por dentro da pele. Queria correr, mas as pernas eram de cera. As tartarugas se aproximavam, abrindo suas mandíbulas como se fossem engolir não só seu corpo, mas tudo o que ela não quis lembrar. A menina ria, girando ao redor como um pião encantado.


Quando a boca da maior tartaruga se abriu em sua direção, Clarice gritou. Um grito real. Um grito que rasgou o sonho e também o tempo. E então acordou.


Mas, naquele momento, entendeu. As tartarugas eram memórias antigas. A menina era o que restou da Clarice esquecida. O medo era dela mesma. E o grito foi a porta de saída do casulo. Um grito de quem, mesmo tremendo, escolhe viver.


Angela Ponsi, a Mulher que Sonha


Reflexão visual e simbólica


Nesta imagem, a personagem principal está coberta de tinta e segura um pincel — ela é a artista de si mesma. A tinta não é sujeira: é memória emocional, passado criativo, camadas que se acumulam no processo de autoconhecimento.


O pincel representa o poder de transformação. Ela não é apenas refém do medo: é autora, criadora, transmutadora de sua própria psique.


As três tartarugas de bocas abertas simbolizam os medos antigos que voltam sob formas distorcidas: lentos, pesados, ancestrais. E também representam a sabedoria reprimida que precisa ser reconfigurada.


A mulher se ergue diante delas, firme, talvez tremendo, mas pronta para encarar. A presença da menina simboliza sua criança interior, ora travessa, ora salvadora.


A mensagem é clara:


“O inconsciente não é apenas um lugar de sombras. É uma oficina. E você, a artista.”



Obrigada por me acompanhar até aqui.

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