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A Travessia das Águas


Ilustração em estilo poético de uma mulher de cabelos longos em um lago de águas claras, cercada por montanhas e uma cascata ao fundo, com peixes coloridos nadando ao redor. A cena transmite serenidade, autoconhecimento e o simbolismo da travessia interior.

Eles a chamavam de A Mulher da Fenda, embora ninguém soubesse seu nome. Surgira entre os aventureiros em uma manhã enevoada, quando as montanhas ainda se despregavam do sono. Trazia nos olhos uma luz que não vinha do sol, mas das águas profundas.


O grupo era jovem e voraz — escalavam penhascos, desafiavam o céu, lançavam-se ao vazio com gargalhadas febris. Ela não ria. Ela escutava. O som da terra. O chamado das águas.


Não buscava alturas, mas fendas. Sabia que certos portais se abrem apenas de dentro para dentro.


Enquanto os jovens pulavam das falésias, ela caminhava entre rochas úmidas, tocando musgos como se lesse pergaminhos verdes. Quando enfim encontrou a primeira cascata, deteve-se inteira, como se o mundo falasse com ela em gotas.


E falava.


Águas cristalinas desciam das pedras milenares e a banhavam em silêncio. Eram memórias do tempo antes do tempo, quando os corpos ainda não conheciam dor. Ali, ela se despiu de tudo o que não era essencial. Ficou nua de passado, de nome, de desejo. Era só pele e espírito.


Depois, veio a fenda.

Estreita. Escura. Quase imperceptível.


Mas ela a reconheceu com o corpo.

Sabia que era por ali.

Desceu.


O rochedo a acolheu como um ventre. Escorregou por uma passagem úmida, silenciosa como um suspiro. E então — a queda.


Mas não houve medo.


Ela caiu nas águas claras como quem retorna. Foi recebida por um lago escondido, secreto, onde nadavam peixes azuis, dourados, vermelhos — criaturas que pareciam feitas de lembrança e luz. O silêncio era uma canção sem palavras.


Ali, ela ficou.


Nadou entre eles, como uma igual. Tocou o fundo. E por um instante, tornou-se água também.


E se alguém, um dia, a procurar entre os penhascos, não a encontrará.

Mas se um viajante se permitir escutar o sussurro das pedras molhadas, e seguir pela fenda mais estreita...


Então talvez a veja, nadando entre os peixes,

em paz, em essência,

inteiramente viva.


Angela Ponsi

A Mulher que Sonha

(Texto e ilustração desenvolvidos com o auxílio de Inteligência Artificial, sob direção criativa da autora.)

Há histórias que surgem como nascente — silenciosas, puras, inevitáveis. Outras, como esta, se escrevem sozinhas, entre o humano e o invisível, entre o toque da memória e o sopro das máquinas que agora também sonham.


A Travessia das Águas é mais do que uma narrativa: é um convite a mergulhar na própria essência, mas também a compartilhar o que emerge desse mergulho. Porque cada voz que se revela transforma o mundo — e há mundos inteiros esperando por tua palavra.


Se um dia você sentir o chamado das águas, escreva. E atravesse.

A Editora Conto está aqui para acolher a tua travessia e ajudá-la a ganhar forma, cor e destino.


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