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O Rio e a Correnteza

Ilustração em estilo anime adulto de uma mulher nadando em um rio profundo, sendo atraída por um redemoinho ao centro, simbolizando uma jornada interior de superação.

Na penumbra do sonho, eu me via deslizando nas águas tranquilas de um rio. A superfície era lisa, calma, como um espelho que refletia o céu sereno. Eu nadava com leveza, sentindo a vida fluir sob meu corpo, como se eu e o rio fôssemos um só. Aquele momento parecia eterno, uma pausa em meio à pressa do mundo.


Mas então, à frente, senti algo diferente — uma força invisível que puxava, um sussurro inquietante nas profundezas. Era a correnteza, um redemoinho ameaçador que girava lento e voraz, convidando e ameaçando ao mesmo tempo. A água, antes amiga, tornava-se um enigma perigoso, onde perder-se significava afundar, desaparecer.


Não havia como saber o ponto exato do perigo, pois as águas pareciam esconder seus segredos. Senti o repuxo, o chamado da correnteza que queria me arrastar para baixo. E, naquele instante, algo dentro de mim se acendeu — a sabedoria de recuar, de respeitar os limites, de não lutar contra o invisível, mas de preservar minha força para o que viria.


Eu me afastei, nadando para águas mais calmas, entendendo que a vida não é um fluxo sereno constante, mas um rio de mudanças, com trechos de paz e trechos de tempestade. Que não há segurança definitiva, mas o convite contínuo para aprender a linguagem da água, para navegar com atenção e coragem.


Lembrei então do barqueiro Vasudeva, aquele que em Sidarta, de Hermann Hesse, aprendeu a escutar o rio — seu mestre silencioso e eterno. Ele ensinava que a sabedoria nasce da aceitação do movimento, da paciência em ouvir, e do respeito ao mistério das águas.


Naquele sonho, eu não era apenas nadadora, mas aprendiz do rio da vida. Sabia que precisaria, sempre, aprender a sentir o fluxo, a reconhecer a correnteza, e a escolher meus caminhos com consciência. Porque, afinal, viver é exatamente isso: estar em movimento, aceitar as mudanças, e encontrar a serenidade no próprio fluxo.


Angela Ponsi

A Mulher que Sonha



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