O Invisível que nos Habita
- Angela Ponsi
- 16 de mai.
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de mai.
Há quem diga que criar é inventar algo novo. Mas e se não for?

E se criar for, na verdade, um ato de revelar?
E se tudo o que imaginamos já existisse — não aqui, não agora,
mas em algum nível invisível, sutil, anterior à forma?
Como uma música que já toca, mas só conseguimos ouvir
quando nos silenciamos o bastante para escutá-la.
Platão chamou isso de mundo das ideias.
Jung, de inconsciente coletivo.
Os místicos, de registro akáshico, logos, mente divina.
O artista, o poeta, o cientista, o visionário — todos,
em algum grau, são intérpretes do invisível.
Eles não criam do nada. Eles acessam.
São antenas sensíveis que captam formas ainda não expressas,
sentimentos sem nome, verdades que ainda não foram ditas.
Criar, então, é escavar o invisível.
É dar forma ao que só existia como vibração,
como sopro, como centelha.
Talvez seja por isso que se diga:
"No princípio era o Verbo."
Não a palavra comum,
mas o som primordial.
O impulso criador que vibra antes da matéria.
O verbo que não só nomeia, mas gera.
A criação humana, nesse sentido,
é uma continuidade do ato divino.
Não inventamos: traduzimos.
Não dominamos: canalizamos.
Não possuímos: participamos.
Tudo aquilo que você cria — uma frase, uma imagem,
um livro, um gesto, um silêncio bem colocado —
talvez não tenha vindo de você, mas através de você.
Porque, no fundo, a verdadeira obra não é sua.
É do mundo que ainda não foi revelado.
É do invisível que pulsa querendo nascer.
E que, por um instante, encontrou em você
um lugar para ser forma.





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