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Corte, Cor e Crise Existencial: Uma Saga no Salão

Atualizado: 30 de jul.

Ilustração estilo anime de uma mulher sentada em um salão de beleza, cercada por cabelereiras diferentes e produtos variados, olhando-se no espelho com expressão confusa e indecisa.

Era uma vez uma mulher que queria cortar o cabelo. Parece simples, né? Só que não.


Ela acordou com aquele impulso revolucionário de mudar tudo: cabelo, vida, destino. Coisa comum quando a gente tem um surto existencial disfarçado de “vou só dar uma aparadinha nas pontas”.


Munida de coragem (e sem nenhuma ideia clara), foi em busca do salão perfeito. Mas o salão, como a vida, era volátil: mudava de lugar, de endereço, de estética e de propósito. Quando finalmente o encontrou, percebeu que o maior dilema não era o corte. Era o colapso de identidade que vinha no pacote.


Chegando lá, uma fila de cabelereiras materializou-se como um tribunal capilar. Cada uma com sua sentença estética:

— “Faz um curtinho chique!”

— “Você precisa de mechas!”

— “Loira fica mais jovem!”

— “Cacheia! Assume teus cachos, mulher!”

— “Alisa! Cabelo de rainha!”


No meio da confusão, ela tentou ouvir a própria voz interior, mas estava soterrada entre o barulho dos secadores e das inseguranças acumuladas desde a infância.


Ela lembrou que o marido preferia loiras. A sociedade preferia magras. O Instagram preferia filtros. O pai preferia compostura. O mercado preferia a juventude. E ela… bom, ela só queria um cabelo castanho, natural, tipo o da adolescente nos tempos de colégio. Talvez porque naquele tempo ela se achava bonita sem esforço. Talvez porque não existia ainda esse terrorismo de opinião pública sobre cada fio do nosso ser.


Então ela sentou. E esperou.

Esperou o momento certo, a coragem, a definição. E enquanto esperava, tentaram lhe vender o kit completo da nova mulher: shampoo que promete autoestima, cremes com autoconfiança instantânea, roupas para reinventar a persona. Entrou num surto de consumo — típico do desespero de quem tenta tapar um buraco existencial com um par de meias de bebê e um batom vermelho.


Quando percebeu que ia pagar tudo com o dinheiro da mãe, algo estalou. Ela acordou do transe, pediu desculpas e devolveu tudo. Disse que só queria cortar o cabelo, mas que não sabia como.


E o mais irônico? No final, ela não cortou nada. Saiu do salão igual como entrou. Porque às vezes, o mais difícil não é mudar. É saber o que queremos mudar — e, principalmente, para quem.


🌟Moral da história: o problema nunca foi o cabelo. Foi a quantidade de vozes dizendo o que fazer com ele. Às vezes, tudo o que uma mulher quer é se ouvir de novo — sem barulho, sem pitaco e, de preferência, sem precisar gastar dinheiro à toa.


Angela Ponsi | Escritora, designer editorial e editora


📜 Texto baseado em um sonho da autora:


Neste sonho, Angela se vê em um salão de beleza em constante transformação, à procura de um novo corte e cor para seus cabelos. A mudança desejada revela-se mais profunda do que estética: ela está indecisa entre as opiniões alheias e suas próprias memórias e desejos. Entre loiro, moreno, curto ou comprido, ela se vê perdida nas sugestões externas, até que decide buscar sua essência natural — o castanho da juventude. No entanto, antes da transformação acontecer, ela se envolve numa compulsão de consumo, comprando coisas fúteis e infantis, até perceber que não deseja gastar o dinheiro que não lhe pertence. Ao final, o cabelo permanece o mesmo, revelando um impasse entre o impulso de mudar e o medo de perder sua verdadeira identidade.



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Sou Angela Ponsi, editora e designer editorial.

Se você também tem uma história para contar, entre em contato: angelaponsi@hotmail.com


E, se você também escreve e deseja publicar seu livro com identidade e sensibilidade, eu posso te ajudar a transformar sua história em um livro real.


💌 Conheça meu trabalho na Editora Conto: www.editoraconto.com.br





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