Fenda
- Angela Ponsi
- 9 de ago.
- 1 min de leitura

Ela o olhou como se olhasse a si mesma pela primeira vez.
Não havia nele beleza óbvia, nem qualquer traço que justificasse a súbita obsessão. Mas havia um silêncio — e era esse silêncio que a chamava.
Talvez fosse o modo como ele escutava, sem pressa, como quem oferece abrigo. Ou talvez o modo como ele desviava o olhar quando ela se aproximava demais.
Ela, que sempre foi inteira demais para caber nas mãos de ninguém, agora se via fragmentada. Um espelho quebrado em busca de moldura.
No terceiro encontro, ele não disse nada.
Ela tampouco.
Mas a ausência de palavras era um idioma partilhado.
Na cama, se tocaram como se procurassem algo que sabiam ter perdido antes de nascer.
Não havia promessas. Só um pacto implícito de falta.
Ele não era o que ela sonhava.
Ela não era o que ele precisava.
Mas ali estavam.
Na dobra entre dois corpos incompletos, fingindo por uma noite que eram um só.
Angela Ponsi
✧ Nota da autora: Este texto foi criado com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas como parceiras criativas no processo de escrita. Todo o conteúdo foi desenvolvido, editado e finalizado por mim, Angela D’Ornelas Ponsi. A IA amplia, mas não substitui: a autoria permanece humana.
Este conto faz parte do universo poético e sensível que nos inspira a olhar para dentro e para o outro.
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Juntos, podemos abrir fendas que revelem mundos.





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