O que é só meu
- Angela Ponsi
- 24 de jul.
- 2 min de leitura

Ela caminhava por uma estrada de areia clara, sozinha, com o sol filtrado por nuvens doces.
Havia largado as malas no quilômetro anterior — não por raiva, mas por cansaço.
E porque, no fundo, sabia: quase nada daquilo era seu.
Carregava culpas herdadas, promessas feitas em nome do amor, e pactos silenciosos assinados com medo de ferir.
Durante muito tempo, confundira bondade com servidão.
Confundira amor com permanência.
Confundira pertencer com desaparecer.
Mas algo mudou naquele último passo.
Não foi grito, foi sussurro.
Não foi dor, foi compreensão.
E quando olhou para si com olhos novos, viu:
Ali estava alguém inteira, mesmo ferida.
Alguém livre, mesmo ainda presa a algumas lembranças.
Decidiu, então, encontrar apenas a si mesma.
Não precisava de mais ninguém para se sentir viva.
Nem de um grande amor para justificar sua beleza.
Nem de uma multidão para validar seu caminho.
Ela só precisava caminhar leve.
E se, por acaso, algo pesasse demais,
ela saberia: podia soltar.
Sem culpa.
Sem drama.
Sem voltar atrás.
Porque o que era verdadeiramente dela,
não a esmagaria nunca.
E foi assim que ela entendeu: bastava ser inteira em si.
Bastava ouvir seu próprio canto — doce ou estridente — e acolher-se por completo, sem pedir licença ou buscar permissão.
Seu caminho não exigia mapas, nem bússolas emprestadas.
Apenas presença.
Angela Ponsi
A Mulher que Sonha
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