Yôga: o corpo que escuta a alma
- Angela Ponsi
- 20 de mai.
- 3 min de leitura
Atualizado: 29 de mai.
“Yôga não é sobre tocar os pés com as mãos. É sobre o que você aprende no caminho até eles.”

Há um ano, comecei a praticar Yôga.
Não buscava um corpo mais flexível. Buscava algo que me habitasse por inteiro.
No início, era silêncio demais.
Mas aos poucos, esse silêncio virou escuta.
E essa escuta virou encontro.
Com o corpo. Com a respiração. Com o que estava oculto em mim.
A cada ásana, uma metáfora.
A cada respiração, um espaço novo dentro do peito.
A cada olhar para dentro, um retorno ao que fui esquecendo no caminho.
Hoje entendo:
Yôga é caligrafia da alma no corpo.
E escrever, para mim, virou uma extensão disso.
Como se as palavras também precisassem respirar.
Como se meus contos agora descessem pela coluna até os pés — e voltassem pelas mãos, suaves e verdadeiros.
Yôga me ensinou a não forçar.
A parar de exigir sentido antes de sentir.
A confiar no invisível que se revela devagar.
Por isso, hoje escrevo diferente.
Escrevo desde um lugar mais calmo, mas mais vivo.
Onde meu corpo sabe antes da minha mente.
E minha alma, enfim, tem voz.
🕉️ O que é a Yôga?
Yôga não é apenas um exercício físico: é um sistema completo de desenvolvimento humano.
A Yôga é uma filosofia de vida ancestral, que combina práticas físicas, respiratórias, mentais e espirituais para promover equilíbrio, consciência e autoconhecimento. Sua origem remonta a mais de 5 mil anos, na Índia, e seu nome vem da raiz sânscrita “yuj”, que significa “unir” — unir corpo, mente, espírito e o todo.
Existem vários caminhos e linhas dentro da tradição do Yôga, entre elas:
Rāja Yôga – foco na meditação e no domínio da mente
Bhakti Yôga – caminho da devoção e amor
Jñāna Yôga – via do conhecimento e da sabedoria
Karma Yôga – ação consciente e serviço
Hatha Yôga – união entre força (ha) e suavidade (tha), com foco em posturas (ásanas) e respiração
O termo Yôga com acento circunflexo foi adotado por algumas escolas contemporâneas (como o Método DeRose) para marcar uma visão mais fiel às raízes filosóficas do Yôga tradicional, e diferenciá-lo da prática mais fitness e ocidentalizada.
🌿 Para que serve a Yôga?
Desenvolver o autoconhecimento profundo
Equilibrar corpo, mente e emoções
Ampliar a consciência e a atenção plena
Reduzir ansiedade, estresse e agitação mental
Estimular a saúde, flexibilidade e vitalidade
Integrar a espiritualidade de forma prática
🪷 Como a prática de Yôga trabalha o autoconhecimento?
Corpo como espelho da mente
Cada postura (ásana) revela limites, tensões, padrões mentais. O corpo se torna um campo de observação interna.
Respiração consciente (prānāyāma)
O controle da respiração equilibra o sistema nervoso, clareia os pensamentos e traz presença ao momento.
Meditação e foco (dhyāna)
A mente aprende a se silenciar, e nesse silêncio, aspectos profundos da psique vêm à tona — emoções reprimidas, crenças, intuições.
Disciplina e autoescuta (svādhyāya)
A prática regular convida à escuta interior, ao cuidado com hábitos e ao refinamento da consciência.
Transformação interna
O Yôga revela a impermanência, a humildade e o potencial de evolução constante — sem precisar “mudar” para ser melhor, mas para lembrar quem você já é.
✨ Efeitos da prática constante da Yôga há um ano na minha escrita:
Mais presença no ato de escrever
Passei a escrever com o corpo presente, como quem respira no ritmo da palavra, sem antecipar o fim do texto.
Escuta mais refinada da intuição
A prática da Yôga ampliou minua capacidade de me escutar — e, com isso, passei a respeitar mais o que sinto, sem racionalizar tanto.
Menos julgamento, mais entrega
Passei a me cobra menos para “acertar” na escrita. Em vez disso, deixei as palavras fluírem como a respiração: naturais e sinceras.
Conexão simbólica entre corpo e linguagem
Muitos dos meus textos atuais são quase corporais: metafóricos, sensoriais, vivos. Isso é resultado direto do cultivo de atenção plena no corpo.
Ciclos mais saudáveis de criação
O Yôga ajuda a romper com o ciclo “escrever–desgastar–duvidar”. Eu agora alterno criação com regeneração — e isso sustenta minha escrita a longo prazo.
Haicais inspirados na prática de Yôga
1.
Silêncio no chão —
meu corpo aprende a calar
o grito dos dias.
2.
Entre um ásana
e o outro, me percebo
voltando a ser eu.
3.
A mente recua.
Só a respiração fica.
Palavra futura.
Reflexões e versos de Angela Ponsi sobre a prática de Yôga.





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