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Yôga: o corpo que escuta a alma

Atualizado: 29 de mai.

“Yôga não é sobre tocar os pés com as mãos. É sobre o que você aprende no caminho até eles.”

Mulher em postura invertida de yoga, com luz incidindo sobre sua cabeça.

Há um ano, comecei a praticar Yôga.

Não buscava um corpo mais flexível. Buscava algo que me habitasse por inteiro.


No início, era silêncio demais.

Mas aos poucos, esse silêncio virou escuta.

E essa escuta virou encontro.


Com o corpo. Com a respiração. Com o que estava oculto em mim.


A cada ásana, uma metáfora.

A cada respiração, um espaço novo dentro do peito.

A cada olhar para dentro, um retorno ao que fui esquecendo no caminho.


Hoje entendo:


Yôga é caligrafia da alma no corpo.

E escrever, para mim, virou uma extensão disso.

Como se as palavras também precisassem respirar.

Como se meus contos agora descessem pela coluna até os pés — e voltassem pelas mãos, suaves e verdadeiros.


Yôga me ensinou a não forçar.

A parar de exigir sentido antes de sentir.

A confiar no invisível que se revela devagar.


Por isso, hoje escrevo diferente.

Escrevo desde um lugar mais calmo, mas mais vivo.

Onde meu corpo sabe antes da minha mente.

E minha alma, enfim, tem voz.



🕉️ O que é a Yôga?


Yôga não é apenas um exercício físico: é um sistema completo de desenvolvimento humano.


A Yôga é uma filosofia de vida ancestral, que combina práticas físicas, respiratórias, mentais e espirituais para promover equilíbrio, consciência e autoconhecimento. Sua origem remonta a mais de 5 mil anos, na Índia, e seu nome vem da raiz sânscrita “yuj”, que significa “unir” — unir corpo, mente, espírito e o todo.


Existem vários caminhos e linhas dentro da tradição do Yôga, entre elas:


  • Rāja Yôga – foco na meditação e no domínio da mente

  • Bhakti Yôga – caminho da devoção e amor

  • Jñāna Yôga – via do conhecimento e da sabedoria

  • Karma Yôga – ação consciente e serviço

  • Hatha Yôga – união entre força (ha) e suavidade (tha), com foco em posturas (ásanas) e respiração


O termo Yôga com acento circunflexo foi adotado por algumas escolas contemporâneas (como o Método DeRose) para marcar uma visão mais fiel às raízes filosóficas do Yôga tradicional, e diferenciá-lo da prática mais fitness e ocidentalizada.


🌿 Para que serve a Yôga?

Desenvolver o autoconhecimento profundo


  • Equilibrar corpo, mente e emoções

  • Ampliar a consciência e a atenção plena

  • Reduzir ansiedade, estresse e agitação mental

  • Estimular a saúde, flexibilidade e vitalidade

  • Integrar a espiritualidade de forma prática


🪷 Como a prática de Yôga trabalha o autoconhecimento?


Corpo como espelho da mente

Cada postura (ásana) revela limites, tensões, padrões mentais. O corpo se torna um campo de observação interna.


Respiração consciente (prānāyāma)

O controle da respiração equilibra o sistema nervoso, clareia os pensamentos e traz presença ao momento.


Meditação e foco (dhyāna)

A mente aprende a se silenciar, e nesse silêncio, aspectos profundos da psique vêm à tona — emoções reprimidas, crenças, intuições.


Disciplina e autoescuta (svādhyāya)

A prática regular convida à escuta interior, ao cuidado com hábitos e ao refinamento da consciência.


Transformação interna

O Yôga revela a impermanência, a humildade e o potencial de evolução constante — sem precisar “mudar” para ser melhor, mas para lembrar quem você já é.


✨ Efeitos da prática constante da Yôga há um ano na minha escrita:


Mais presença no ato de escrever

Passei a escrever com o corpo presente, como quem respira no ritmo da palavra, sem antecipar o fim do texto.


Escuta mais refinada da intuição

A prática da Yôga ampliou minua capacidade de me escutar — e, com isso, passei a respeitar mais o que sinto, sem racionalizar tanto.


Menos julgamento, mais entrega

Passei a me cobra menos para “acertar” na escrita. Em vez disso, deixei as palavras fluírem como a respiração: naturais e sinceras.


Conexão simbólica entre corpo e linguagem

Muitos dos meus textos atuais são quase corporais: metafóricos, sensoriais, vivos. Isso é resultado direto do cultivo de atenção plena no corpo.


Ciclos mais saudáveis de criação

O Yôga ajuda a romper com o ciclo “escrever–desgastar–duvidar”. Eu agora alterno criação com regeneração — e isso sustenta minha escrita a longo prazo.



Haicais inspirados na prática de Yôga


1.

Silêncio no chão —

meu corpo aprende a calar

o grito dos dias.


2.

Entre um ásana

e o outro, me percebo

voltando a ser eu.


3.

A mente recua.

Só a respiração fica.

Palavra futura.


Reflexões e versos de Angela Ponsi sobre a prática de Yôga.

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