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A Jóia Invisível

Atualizado: 9 de jun.

Mulher segurando algo brilhante invisível, com olhos fechados em contemplação

Ela veio devagar. Como sempre vinha.

Com aquele olhar de quem conhece o tempo e seus atalhos.

Era minha tia, mas também era meu reflexo mais antigo — um espelho do sangue, da origem, da dualidade.


Ela estendeu a mão.

Não com violência.

Mas com o peso daquilo que pede sem palavras.


— “Me dá?” — perguntou, embora eu soubesse que ela não nomearia o que queria.


Dentro de mim, algo soube o que era.

Não era um objeto, nem uma lembrança.

Era algo meu.

Muito meu.

Uma parte que lutei anos para recuperar.


E eu disse não.


Não com dureza, nem com raiva.

Mas com a firmeza de quem aprendeu a dizer sim a si mesma.

Vi a decepção aflorar no rosto dela — um misto de mágoa e espanto.

E aquilo doeu.

Como se romper com os fios invisíveis da herança fosse sempre um tipo de traição.

Mas havia também… um alívio.


Porque naquele instante, entendi:

a minha cura não viria da entrega.

Viria do limite.

Do gesto de manter comigo aquilo que me reconstruiu.


Ela não disse mais nada.

Se virou, foi embora.

E eu fiquei.

Com a minha jóia invisível nas mãos.

Com o coração um pouco doído, mas inteiro.


E pela primeira vez,

sem culpa,

sem dívida,

eu soube que tinha me curado.


Angela Ponsi, a Mulher que Sonha



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