A Mulher que Sonha
- Angela Ponsi
- 23 de ago.
- 3 min de leitura

Sempre me reduzi, consciente ou inconscientemente, para caber nas expectativas alheias. Para ser aprovada, para ser aceita, para ser amada. E, nesse processo, deixei de reconhecer a extensão da minha própria inteligência, sensibilidade e capacidade criativa. Encolhi-me. Tornei-me menor do que realmente sou.
Os sonhos, percebi, nunca mentem. Eles se insurgem contra essa redução e me convidam a voltar a mim mesma. Sonho com meus pais, com a casa da minha infância, com gavetas e armários repletos de roupas antigas, com a poeira que insiste em se acumular nos cantos. Cada imagem onírica é uma memória, mas também um símbolo — um lembrete de que há uma parte de mim esquecida, comprimida, esperando ser redescoberta.
Não culpo meus pais por isso. Pelo contrário, os honro. Eles não me encolheram para lhes servir; na verdade, o meu encolhimento foi uma tentativa de me proteger, de encontrar segurança no mundo que nos rodeava. Mas eu confundi tudo. Achei que, diminuindo-me, agradaria a eles, deixaria-os felizes pela filha que geraram e criaram. Mesmo nos momentos de rebeldia, preguiça ou ingratidão, minha lealdade era uma força silenciosa que me guiava — e, paradoxalmente, me afastava de mim mesma.
Freud dizia que o sonho é a realização de um desejo. Agora entendo que ele é mais que isso: é um chamado da própria essência, um retorno ao fluxo natural da mente, livre de críticas, de moldes sociais, de personagens que nos aprisionam. Observar os sonhos sem censura é encontrar-se sem máscaras. É permitir que a imaginação fale em sua própria linguagem, sem intermediários, sem distorções. É, enfim, libertar-se.
Percebo, então, por que me tornei “A Mulher que Sonha”. Porque só nesse estado de liberdade consigo entrar no fluxo da criação. Nos sonhos — ou na vigília criativa que eles despertam — não há necessidade de agradar ninguém. Não há necessidade de reduzir-se. A criatividade surge como uma força viva, não apenas para revelar beleza ou verdade, mas para transformar, para gerar valor. Talvez monetário, talvez laboral, talvez apenas existencial. Mas sempre real, sempre genuíno.
Cada gesto — abrir uma gaveta, limpar a poeira, revisitar memórias antigas — torna-se um ritual de retorno a mim mesma. Um retorno que reconstrói meu território, minha autoridade sobre minhas próprias imagens, sobre minha própria vida. Não mais reduzida, não mais distorcida, não mais vivendo em função de personagens inventados para agradar ao mundo.
Ser “A Mulher que Sonha” é reconhecer que o valor genuíno não nasce da conformidade, mas da liberdade de observar, sentir e criar. É perceber que o caminho que trilhei por amor e lealdade aos meus pais me ensinou disciplina e devoção, mas que o arco-íris do meu tesouro interior só se revela quando sigo meus próprios passos, meus próprios fluxos de criatividade, onde meus recursos são abundantes e não escassos.
O convite deste texto é simples, mas profundo: olhe para seus sonhos, observe o fluxo das imagens mentais e perceba onde você ainda se diminui. Permita-se ser a versão inteira de si mesmo. Só então, finalmente, a criatividade encontrará espaço para florescer — e você descobrirá que viver no fluxo não é apenas prazeroso, é vital.
Angela Ponsi, A Mulher que Sonha
**Textos e imagens criados com a sensibilidade humana e o apoio da inteligência artificial.
Ser “A Mulher que Sonha” é mais do que interpretar imagens noturnas — é aceitar o chamado da própria alma para viver inteira, sem reduções. É permitir que cada símbolo, cada memória e cada fragmento do inconsciente floresça em criação consciente. Porque, no fim, o sonho não é fuga: é um retorno. É nele que encontramos a chave para nos reconstruir e nos libertar.
E talvez esse seja o maior presente dos sonhos: lembrar-nos de que toda vida pode ser narrada, toda experiência pode ganhar forma, e que escrever é também sonhar desperto.
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