Kaida, a que emerge do fogo e das águas
- Angela Ponsi
- 2 de ago.
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Depois da tempestade, Kaida voltou à sua cabana interior — um refúgio cercado por bosques encantados, onde o silêncio respirava com ela e o tempo caminhava descalço. Lá, entre as raízes da terra úmida e os galhos que guardavam o céu, ela se lembrava de quem era. Não o que diziam dela. Não o que queriam que ela fosse. Mas o que nascia do centro incandescente do seu ser.
Sim, ela chorava às vezes. Mas suas lágrimas eram como as da carpa que sobe contra a corrente, abrindo o caminho com coragem silenciosa, em busca da nascente onde se transforma em dragão. As águas fundas a ensinavam a resistência.
Kaida tinha um vulcão no peito. Não um que explodia em descontrole — mas um que aquecia, purificava, abria novas terras. Sua fúria era sagrada. Sua força não vinha da ausência de dor, mas da travessia dela. Sentia cada ferida como uma cicatriz brilhante no escudo de sua alma. E quando o mundo tentava apagá-la, ela se recolhia. Não por covardia. Mas para acender-se de novo.
Os pés dos gigantes ainda marchavam lá fora. As bocas venenosas seguiam lançando palavras como lanças. Mas Kaida não era mais presa. Ela era fogo antigo, serpente e asas. Guardiã de si.
Na sua volta, não carregava vingança. Carregava uma espada feita de verdade. Sabia que a paz que a sufoca não é paz, é silenciamento. E decidiu nunca mais se calar diante da injustiça.
Kaida não é um doce. É uma força primordial. Lava e água. Dragão e carpa. Mulher e mito.
Angela Ponsi
Que Kaida nos ensine — com sua lava incandescente e sua dança com dragões — que não viemos ao mundo para viver em silêncio.
Há vozes que querem nos calar. Gigantes que tentam nos esmagar com mentiras, desprezo e maledicências. Mas dentro de cada um de nós vive uma força ancestral — feita de fogo, de coragem, de palavra viva.
Quando o mundo tentar apagar sua chama, lembre-se: você não é brasa apagada, é vulcão adormecido. Quando tentar te calar, escreva. Grite com tinta. Crie com fúria. Resista com beleza.
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