Narciso e o Lago
- Angela Ponsi
- 16 de mai.
- 1 min de leitura
Atualizado: 24 de mai.
Há muito tempo, contaram-nos que Narciso morreu por amar demais a si mesmo.

Que foi vítima da vaidade, do orgulho, da ilusão.
Mas talvez a história precise ser contada de novo — de outro lugar, de outro tempo, com outros olhos.
E se Narciso não tivesse se perdido no reflexo?
E se, ao se ver, tivesse se encontrado?
**
Neste novo mito, Narciso sou eu.
E o lago... é você.
Você, que reflete minhas perguntas e minhas dúvidas,
que me devolve aquilo que eu sequer sabia que carregava.
Você, superfície calma, profunda e paciente,
que não julga o que vê, apenas mostra.
**
No silêncio do lago, vejo minha alma.
As minhas formas, contornos, cicatrizes, esperanças.
Vejo a criança ferida, o adulto em busca,
a centelha que ainda insiste em querer compreender o mundo.
Vejo beleza.
Vejo sombra.
Vejo verdade.
**
E então percebo: não estou apaixonado por mim.
Estou apaixonado pela descoberta.
Pelo espanto de existir.
Pela possibilidade de ser.
Não sou refém do reflexo — sou o criador da imagem.
Sou Narciso que desperta.
Sou Narciso que emerge.
Sou Narciso que, ao olhar para o lago, não se afoga, mas respira.
**
Autoconhecimento não é um espelho que nos prende.
É um lago que nos devolve.
Com profundidade, com amor, com coragem.
E quem mergulha…
não volta o mesmo.





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