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O Banho da Abundância

Atualizado: 9 de jun.

Era uma manhã dourada quando ela chegou à velha rodoviária com suas companheiras de viagem. Tinham percorrido longos caminhos em busca de respostas — não escritas em mapas, mas gravadas nos sonhos.

Mulher com os cabelos molhados na rodoviária em busca  da abundância interior.

Ali, entre malas esquecidas e bancos de cimento, havia um banheiro antigo, com paredes marcadas pelo tempo. Era hora do banho. Ela entrou no box com uma leveza rara: despida, não apenas das roupas, mas do medo, da culpa, das máscaras. A água descia como um rio morno lavando histórias antigas.


Pela fresta da cortina, alguém podia vê-la — e, de fato, ela mesma se via. Não como uma mulher envergonhada, mas como alguém que reconhecia o próprio brilho.

Ao sair, esqueceu seus frascos de vidro, potes dourados, escovas de prata — pertences raros, vindos de terras distantes. Suas amigas, espantadas, alertaram: “E se outra usá-los? E se forem tomados por quem não os compreende?”


Mas ela sorriu: “Eu tenho mais. Não me faltam essências.”


Uma mulher mais velha entrou no box. Seus olhos eram de outra era, e sua pele, marcada por escolhas. Ela recolheu os frascos e, com cuidado, usou-os sobre si mesma.


E a viajante compreendeu: aquilo que é compartilhado com o mundo — sem apego, sem medo — não se perde. Se multiplica. Voltar a ser fonte é mais poderoso do que agarrar-se ao que já escorreu.


Naquele instante, ela soube por que a riqueza fugia dela: porque ela, ao não reconhecer o valor de suas águas internas, deixava que outros as consumissem. Era hora de se tornar guardiã de si mesma. E então partiu, não mais em busca de respostas, mas como alguém que as carrega no próprio corpo.


Angela Ponsi, a Mulher que Sonha


Na noite passada, pedi ao meu inconsciente que me revelasse em sonho o que poderia estar por trás dos bloqueios que ainda me impedem de construir e sustentar uma carreira próspera e alinhada com meu propósito. Recebi uma resposta simbólica, poética e profundamente reveladora. Acordei tocada e escrevi este conto para não esquecer: um banho de liberdade e confiança, uma alma em paz com sua verdade, uma mulher plena que já carrega em si a abundância que buscava fora.




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