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Se Fosse Possível Recomeçar

Atualizado: 9 de jun.


Ilustração minimalista em preto e branco de uma figura feminina caminhando sozinha por um espaço vazio, dissolvendo-se em partículas de barro, com uma chama surgindo do peito.

Eu negaria tudo.

Os conceitos limitados

E as teorias vãs.


Eu desprezaria todo o aprendizado.

Rejeitaria o conteúdo inútil.

E cuspiria a cultura herdada.


Eu jogaria os cadernos no fogo.

E abandonaria todo o lixo ensinado

Até ficar completamente vazia.


Eu apagaria todas as luzes

Até a completa escuridão.

E enfrentaria todos os demônios.


Eu seguiria pelo vasto infinitivo

Sem nenhuma luz, nenhuma crença

E nenhum Deus.


Eu iniciaria uma busca incessante

Pelo que nunca se viu, nunca se ouviu

E ninguém nunca falou.


Eu experimentaria o completo silêncio

De todas as vozes

Que criticam, julgam e mentem.


Eu buscaria o fim de todo o engano

De toda a ignorância

De toda a falsidade.


Eu percorreria sozinha o imenso vazio

Do meu universo interior

Para poder me escutar.


Eu perseguiria o nada no escuro

Sem nenhum afeto ou abraço

Sem nenhum grilhão.


Eu tentaria encontrar

A minha luz, a minha voz

E a minha verdade.


Eu dissolveria o barro

Até nada mais existir

Nem uma única forma.


Eu desmancharia a escultura inacabada

Que nunca foi perfeita

Que começou errada.


Eu moldaria o barro novamente

Sem regras, sem mestres

Sem doutrina ou escritura.


Porque o nada

É melhor do que a falsidade

De ser o que não se é.


E se dentro de mim

Nada mais existisse

Eu começaria tudo de novo.


Até ter a mente livre

E o coração pulsando

No ritmo da sua própria existência.


Angela Ponsi


📝 Escrito antes da pandemia, este poema é um mergulho radical no vazio como possibilidade de renascimento. Em um diálogo interno relatado em análise junguiana, o poema expressa a vontade de desfazer todas as formas impostas — conceitos, crenças, aprendizados herdados — em busca da própria voz, do silêncio essencial e da verdade interna. Uma jornada simbólica de autoconhecimento, liberdade e reconstrução, onde o barro da existência é dissolvido para que um novo ser, autêntico e livre, possa emergir.



✍️ Sobre mim

Sou Angela Ponsi, artista visual, escritora e editora. Aqui compartilho sonhos, contos oníricos e reflexões que nascem do mergulho no inconsciente. Também sou fundadora da Editora Conto, onde ajudo escritores a transformar suas histórias em livros reais — lindamente diagramados, ilustrados e publicados com afeto.


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